Por Rodrigo M. G. Oliveira.

Minha paixão por leitura começou desde cedo. Não vou lembrar a data exata, mas foi nos primeiros anos escolares, logo após minha alfabetização. Me lembro das famigeradas listas de material escolar que minha escola passava para meu pai comprar. Nessas listas, sempre vinha um livro que éramos obrigados a adquirir. Um livro. Eu sempre escolhia o meu da saudosa Coleção Vagalume. Mas não levava um; levava cinco, seis.

Depois, conheci o Círculo do Livro – uma revista estilo essas que temos hoje para vender produtos da Avon, mas, ao invés de conter perfumaria, continha livros. No Círculo, você escolhia uma obra, pagava o boleto e ela chegava pelo correio. Comprei meu primeiro Asimov por lá, foi : “Eu, Robô”… e me apaixonei!

“Eu, Robô” continha uma coletânea de contos do universo de robôs de Asimov. As primeiras páginas já traziam as três leis da robótica, criadas por Asimov, as quais ele acreditava serem necessárias para uma sociedade que havia se tornado dependente de máquinas inteligentes. Uma vez que robôs seriam mais fortes e numerosos que os humanos, seus criadores, eles poderiam causar problemas à humanidade, por isso as leis eram tão importantes. Elas eram:

1ª lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inacção, permitir que um ser humano sofra algum mal.

2ª lei: Um robô deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.

3ª lei: Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira e Segunda Leis.

Todos os contos de “Eu, Robô” giravam em torno dos robôs e as consequências de se ter essas “leis” incrustradas em seus cérebros positrônicos (Um conceito científico ficcional desenvolvido pelo autor e que até foi aproveitado em séries como Perry Rhodan e Star Trek. Seria o nome de cérebros de robôs que possuem inteligência artificial. Constituído de platina-irídio).. Eram textos instigantes, inteligentes e extremamente bem-resolvidos. Me lembro de “Robbie”, a babá robô; me lembro dos carros com cérebros positrônicos que se comunicavam entre si; me lembro do pequeno robô minerador mercuriano, que não deixava seus colegas humanos trabalhar em paz porque atuavam em um ambiente insalubre; me lembro do robô que recebeu a ordem de desaparecer (“Suma daqui!”), que um humano fez em um momento de raiva, e, efetivamente, o fez; e tantos outros que agora me falha a memória…

Depois de ler e reler “Eu, Robô”, fui atrás de mais. Li “Sonhos de Robôs”, outra coletânea de robôs. Li “827 Era Galáctica”, um livro diferente, contando a história de um homem que é transportado de um mundo contemporâneo para outro, estranho e futurista. Li “Viagem Fantástica II”, um livro que Asimov disse se inspirar no filme homônimo, mas que quis fazer a sua versão (melhor, na minha opinião). Li “Azazel”, uma obra completamente diferente, que narra a estória de um pequeno demônio trapalhão que realiza desejos de seus “amos”, mas sempre com resultados desastrosos. Entre outros e outros…

Foram anos dedicados apenas a esse autor. Por causa dele, tive vontade de estudar Física. Como escritor, tentei fazer FC como ele. Me extasiei quando anunciaram o primeiro filme baseado em uma história sua, “O Homem Bicentenário”, com Robbin Williams, mas odiei o resultado final (Deus, que desperdício aquele filme… poderia ter sido tão melhor…). A redenção veio, em parte, com “Eu, Robô”, filme com Will Smith.

Por causa de Asimov, acabei deixando de lado outros gêneros e , até mesmo, outros autores. Foram anos lendo apenas um autor, tentando sorver o máximo possível. Só fui buscar outros caminhos muito tempo depois. Eu sei, eu poderia ter sido mais eclético… mas quem conhece a obra de Asimov vai me entender e não me julgará.

Posso estar enganado, mas, hoje em dia, tenho a impressão de que poucas pessoas conhecem a obra desse maravilhoso autor. Senti uma vontade imensa de revisitar seus textos e não tenho encontrado seus livros em livrarias, já que as últimas edições de suas obras parecem estar fora de catálogo. Bem, é compreensível: Asimov nasceu no início da década de 1920 e publicou seus livros a partir da década de 1950. Apesar disso, Asimov era um excelente futurologista, e seus textos são muito contemporâneos, como todo texto de escritor de FC do passado deveria ser. São narrativas agradáveis e simples em sua construção, mas complexas e profundas em seus conteúdos. Morreu em 1992 e escreveu ou editou mais de 500 volumes e aproximadamente 90 mil cartas ou postais. Além disso tudo, em cada categoria importante do sistema de classificação bibliográfica de Dewey, exceto em filosofia, há pelo menos uma obra desse incrível autor.

Se você não conhece nenhuma obra do Asimov, faça um favor a si mesmo e leia um ou dois contos dele. Duvido de que não vá gostar.

Obrigado, Isaac Asimov, por sua obra que tanto moldou o meu gosto literário!

Anúncios