1. A revisão e a edição

Por Maurício Moraes Wajciekowski

Há mais ou menos uns cinco anos, li a primeira versão de “Andarilhos” que, naquela época, chamava-se “O andarilho” e era um conto longo ou uma novela. Achei o livro muito bom, mas muito curto e, dessa forma, considerei que a obra merecia ser refeita e transformada em algo maior. O autor, felizmente, teve a mesma ideia  e, a partir daí, começamos a trabalhar em cima do livro. De lá para cá, foram pelo menos cinco leituras da obra inteira, além de várias leituras de alguns trechos. A ideia era aumentar a obra, trabalhar melhor as muitas sequências narrativas que, no texto original, estavam sumariadas. A proposta, então, era transformar esses sumários em cenas. Com a reescrita, o texto começou a ganhar novos contornos. Aos poucos, também as personagens foram modificadas, e cenas inéditas surgiram. Algumas cenas mais “frias” ficaram mais “quentes”, e o texto final se tornou mais dramático e muito mais emocionante. O livro passou por uma metamorfose e se tornou, enfim, a obra que a história narrada merecia. Nessas várias leituras, várias revisões foram feitas, sempre buscando que o livro, gramaticalmente, ficasse impecável. Como revisor/editor trabalhei e retrabalhei trechos e ajudei o autor a se livrar de alguns cacoetes. Eu via no Rodrigo Tavares um escritor excelente, mas havia alguns problemas que precisavam ser corrigidos. Como o Rodrigo é um cara aberto e franco, não foi difícil para ele aceitar as críticas e, com isso, a obra e o autor só ganharam. Eu, como revisor/editor, também ganhei muito com essa experiência (até porque o autor paga certinho…), pois ler analiticamente um texto é um exercício importantíssimo para quem quer ser editor, leitor crítico e, inclusive, escritor. Eu já vinha fazendo esse trabalho de analisar textos desde 2001 na Oficina de Escritores. Nesse grupo, analisei cerca de 400 textos literários entre contos e novelas. Fora da OE, foram alguns livros e muitos TCCs, Dissertações e Teses. Houve épocas em que eu gostava mais de analisar do que de escrever, até porque sou um leitor compulsivo desde os 6 anos de idade. Já li muita coisa boa e muita porcaria.

A primeira versão de “Andarilhos” está na categoria das boas leituras, mas também na subcategoria das “boas leituras que poderiam ser melhores”. Dentro dessa ideia, o trabalho de refazer o livro, de transformá-lo em uma obra muito bem-acabada, foi um trabalho prazeroso e divertido. Depois dessa experiência, pretendo trabalhar com o autor por muitos e muitos livros.

Acima, falei de cacoetes, e vou confessar um engraçado: o Tavares fazia uma mistureba de tempos verbais, o que dava um certo travamento à narrativa. Eu tive que fazer uma leitura muito, mas muito minuciosa mesmo, para consertar isso. Acredito que o autor tenha aprendido a diferença entre o tempo dramático (presente do indicativo) e do tempo do narrar (pretérito perfeito do indicativo) e que tenha perdido o tal cacoete…

Só essa mudança já deixou o texto muito mais fluente. Esse cacoete, na verdade, era um dos poucos problemas do autor, pois, no geral, a escrita dele já era muito fluente e agradável, misturando a linguagem de best seller, a poesia e os termos regionalistas, o que deixou o texto acessível a todos os públicos.

O regionalismo ficou muito bem colocado, dando a chamada “cor local” ao texto. Eu mesmo me perdi neles, pois sou um “rapaz da cidade”, enquanto o Tavares é um cara com amplo conhecimento do campo, tendo, inclusive, composto músicas nativistas. A nossa parceria em “Andarilhos” foi bastante importante para ambos. Acredito que esta nova versão, que é a que o leitor terá em mãos, é uma obra realmente muito bem-feita.

2. O trabalho de reescrita e como foi ter o texto revisado e editado.

Por Rodrigo Tavares

O trabalho de revisitar a trama e o arco narrativo do conto “O andarilho” para transformá-lo no romance que lançamos em 2017 foi um árduo trabalho de escrita e reescrita. Como autor, aprendi a ser criticado e a construir e renascer das críticas. Aprendi a me reinventar enquanto narrador, melhorando os meus defeitos colegiais com o uso de tempos verbais, mas esse processo foi bem mais que isso. Uma revisão vai muito além do campo da língua portuguesa e de suas regras infinitas. A revisão fez com que meus personagens principais ganhassem contornos que eu tinha deixado escondidos, cores que estavam sobrepostas. Durante esses cinco anos de reescrita, parei inúmeras vezes, pois não me sentia apto a deixar o livro na qualidade que eu queria. Nesses momentos, li muito, escrevi pouco e frequentei inúmeras oficinas. Precisava me sentir mais confiante e com uma “caixa de ferramentas” mais completa para deixar a história como eu gostaria. Nesses longos anos, a ajuda do Maurício não se resumiu apenas a revisões, pois isso é o mínimo. Trocamos ideias, viajamos em histórias e aprendemos muito um com o outro. Mas, para mim, o principal foi a confiança que ele demonstrava no meu livro. Por vezes, eu tinha vontade de abandonar o projeto e deletar tudo, pois a leitura repetida cansa e vicia, e eu não enxergava nenhuma qualidade no texto. Nesses momentos, entrava em campo o Maurício “bombeiro”, que apagou incêndios e – mesmo nos seus silêncios – me incentivou a continuar. A verdade é que ele confiava e acreditava na história. E eu, sabendo do quilate do meu revisor, me forçava a acreditar também. Ainda fizemos outras leituras críticas do livro, com outros profissionais, para garantirmos um olhar de alguém totalmente desligado dessa produção – e tivemos o retorno positivo. Assim, digo e repito: não lancem livros no ímpeto do “ponto final”, deixem eles descansarem, revisem, mandem para amigos leitores e contratem bons profissionais, como o Maurício da Tot Cultural.

O livro “Andarilhos” pode ser adquirido no link: http://escritortavares.com.br/andarilhos/

A Tot Cultural pode ser visitada em: http://www.totcultural.com.br/

Contato com o autor: contato@escritortavares.com.br

Contato com o editor/revisor: contato@totcultural.com.br

 

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